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A ex-professora e escritora Ana Rapha Nunes persistiu na fantasia da infância e hoje já tem quatro livros publicados

Chega em casa depois de mais um dia longo de trabalho. Corre para a frente do computador, liga apressadamente o editor de texto e começa a teclar furiosamente. Algumas vezes escreve apenas uma frase, outras um parágrafo inteiro e de vez enquanto até mesmo algumas páginas. Depois de esgotar a mente, sem mais nada sair, o jeito é salvar o arquivo, junto com os outros 100 documentos inacabados.

Esse é só mais um dia comum na pele da escritora infantojuvenil, Ana Rapha Nunes, 36 anos. Leitora voraz, tem a mesma disposição para escrever. Mal uma ideia surge, vai direto para a sua biblioteca de arquivos inacabados. Sempre envolvida com a literatura, de um jeito ou de outro, e nela que ela busca até mesmo curar os bloqueios criativos. “Quando eu não estou conseguindo escrever, eu paro e vou ler alguma coisa. Daí surgem mais umas cem ideias”, brica.

Há pouco mais de quatro meses, Ana resolveu parar de lecionar para poder se dedicar exclusivamente a seus livros. “Agora já estou até conseguindo engavetar originais, só esperando para serem publicados.” Trabalha com afinco para concretizar o sonho de sobreviver como escritora.

Ana defende o papel da literatura para a formação de cidadãos melhores. Foto: Giovanna Menezes.

Por enquanto Ana ainda está aprendendo como é isso, mas já pode se considerar uma vitoriosa. É uma das poucas pessoas que conseguiu retomar o sonho da infância. Incentivada pelos pais que gostavam de lhe contar histórias para dormir e que sempre compravam e liam muitos livros, decidiu com a tenacidade dos cinco anos ser escritora. Era nos concursos de redação do colégio que ela buscava se realizar.

Porém, essa fase passou e veio outro sonho, ser atriz, que logo foi substituído pelo desejo de ser advogada. Quando chegou a hora de prestar vestibular, acabou decidindo por algo totalmente diferente. “Eu queria muito entrar na faculdade, mas tinha medo de não passar em Direito. Me inscrevi então para Letras, que era algo que eu também gostava”, lembra.

No fim se apaixonou pelo magistério e começou a dar aulas. Como professora voltou a se aproximar ainda mais da literatura. “Sempre estive muito ligada a projetos de leitura. No colégio todo mundo sabia que a turma da Ana Rapha estava discutindo algum livro. ” Esse envolvimento todo despertou novamente o desejo de ser escritora.

Em 2013, com a morte da mãe, Ana começa a repensar o que queria fazer da vida. Incentivada pelo namorado e atual noivo, Walmir Braga Júnior, ela começa a produzir. Motivada, a carioca de nascença conseguiu fechar um primeiro livro. Porém, novo golpe viria.

Com tudo certo para a editora publicar, vem a crise, e a mesma decide adiar o lançamento. “A data seria muito para frente e eu queria muito publicar para saber qual era a sensação e até para ver se era mesmo isso que eu queria. Resolvi então escrever outro”, conta Ana.

Sai então em 2015 o primeiro (segundo) livro da escritora, “A Lua que eu te Dei” (Appris, 2015). No dia seguinte ao lançamento, Ana em casa assiste no jornal a tragédia que ocorreu em Mariana (MG), quando as barragens da mineradora Samarco se romperam e inundaram toda a cidade. Tocada pelo ocorrido, Ana decide usar o acidente como pano de fundo de seu próximo livro.

“Pra mim, o papel do escritor é também tratar sobre o que está acontecendo, para fazer o público refletir.” Com esse pensamento, Ana publica “Mariana” (Inverso, 2016), seu livro de maior sucesso que já está na sexta edição. A obra conta a história de uma menina que sobreviveu à tragédia, tendo que crescer de uma hora para outra quando sua vida muda de uma hora para outra.

Outro fato que inspirou a criatividade de Ana, foi o lançamento do Pokémon Go. Vendo que seus alunos só sabiam falar disso e ouvindo histórias de gente que sofreu acidentes por causa do jogo, ela escreve “Lucas, o garoto gamer” (Inverso, 2017), que trata sobre um menino que está tão envolvido com os jogos, que sua vida se resume a isso.

Com três livros publicados, a agenda de Ana começou a ficar apertada.  Ela vive participando de feiras e eventos, principalmente em escolas. Quem acompanha a escritora pelo Facebook vê que ela está sempre em algum lugar promovendo o seu trabalho. “As editoras até ajudam, mas não dá para ficar dependendo só disso”, explica.

Focada principalmente para o público adolescente, foi participando desses eventos que ela percebeu uma nova oportunidade: escrever algo mais infantil. Muitos pais e crianças se interessavam por seus livros, mas Ana reconhece que as narrativas são mais densas e é preciso ter um pouco mais de idade para compreender. Nasce então o “A Noite Chegou… e o Sono Não Vem” (Franco ,2017), no qual Ana resgata o exemplo dos pais, falando da importância das histórias antes de dormir, que são o primeiro contato da criança com a literatura.

Sempre preocupada com o papel que a literatura tem na formação da criança, Ana acabou adorando experiência e já tem alguns projetos prontos voltados para esse público. Mas os adolescentes não precisam se preocupar. O próximo lançamento ela garante que é para vocês.

 

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