Categoria reportagem

Em “O Linguajar Verde-Oliva”, a Capitã Célia Gusmão traz para o público as gírias usadas pelo Exército Brasileiro

Você sabe o que quer dizer sanhaço? E mucura? Ou quem sabe carcaçudo? Não sabe?! Sem problemas. Essas palavrinhas um tanto estranhas à primeira vista fazem parte do vocabulário de um grupo de pessoas muito específicas: os militares. Muito além dos códigos secretos que vemos retratados nos filmes hollywoodianos, os membros das Forças Armadas têm suas próprias gírias, que são muito diferentes das dos civis.

Célia Rodrigues Gusmão é Capitã do Quadro Complementar de Oficiais, carreira que ingressou desde 2005.

Foi pensando em facilitar um pouco a vida daqueles que entram na carreira militar e se deparam com esse linguajar que a Capitã do Quadro Complementar de Oficiais, Célia Rodrigues Gusmão, 40 anos, resolveu publicar o livro “O Linguajar Verde-Oliva” (Editoras Prismas, 2016), que explora o jargão do Exército Brasileiro. A ideia surgiu depois que Célia começou a dar aula de português no Instituto Militar de Engenharia, para estrangeiros que fazem intercâmbio no Brasil.

“Um dia um aluno chegou e contou que usou uma dessas expressões militares com uma amiga civil e que a menina não entendeu nada. Eu disse que era claro que ela não vai entender, porque é uma gíria muito particular”, recorda Célia.

E não são só as gírias estranhas que confundem. Algumas das palavras usadas até fazem parte do vocabulário comum, mas com um significado totalmente diferente. É o caso das palavras bisonho, bitolado, azeitar ou chafurdar. Por exemplo, muitos jovens usam a expressão bisonho, para se referir a algo feio ou estranho, mas na gíria militar o termo se refere a alguém que é inexperiente, que comete muitos erros.

Foi pensando nessas estranhezas e falhas na comunicação entre militares e civis que a ideia de produzir um livro ou estudo sobre esse linguajar surgiu. “Em 2015 eu aproveitei o Trabalho de Conclusão de Curso de uma das

minhas especializações, que são requisito para a promoção de patente, para desenvolver esse projeto”, conta.

Com o trabalho aprovado, um ano depois Célia adaptou o material e conseguiu publicá-lo. O livro traz em um primeiro momento uma parte do seu estudo, seguida pelas gírias e expressões e por fim traz também algumas das principais siglas do meio militar brasileiro, outra característica bastante forte desse meio.

Obra traz diversas expressões do jargão militar. Foto: Reprodução.

Livro: O Linguajar Verde-Oliva.

Autor: Célia Rodrigues Gusmão.

Número de Páginas: 165.

Editora: Prismas.

Preço: R$38,00.

Algumas gírias militares:

Azeitar – facilitar, ajeitar, aprontar, deixar tudo combinado.

Bisonho (a) – termo usado para referir-se a alguém inexperiente, que comete erros.

Bitolado – aquele que faz tudo certo, seguindo todas as regras previstas.

Carcaçudo – militar que tem excelente preparo físico.

Chafurdar – dar errado. usado quando algo não saiu como o esperado.

Mucura – cheiro ruim, fedor.

Sanhaço – situação muito ruim.

A obra é mais um material para consulta do que um texto literário, mas consegue atingir todos os públicos. Além de servir como uma espécie de dicionário para quem acabou de ingressar no serviço militar ou se interessa pela carreira, também consegue divertir o público em geral, ao trazer expressões e significados muito engraçados para quem é de fora.

E para quem pensa que o trabalho de Célia acabou, se engana. Desde que lançou o livro ela recebe mensagens de companheiros (as) de farda com outras palavras que fazem parte do cotidiano militar e que não estão no livro. Por conta disso a Capitã já está pensando em uma segunda edição.

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