Categoria reportagem

Prestes a completar dez anos da morte do autor, sua influência ainda está presente no cenário cultural

Karam tinha uma escrita única, marcada pelo humor e domínio da linguagem. Foto. Reprodução/Glória Flügel.

Só neste ano duas homenagens foram feitas ao escritor e jornalista Manoel Carlos Karam (1947-2010). A primeira foi na exposição “Palavras do Paraná”, organizada pela Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) e pela Biblioteca Pública do Paraná (BPP). Ali, em meio aos nomes dos principais autores do estado, Karam ganhou destaque como parte do “Quarteto Experimental”, formado ainda por Jamil Snege (1939-2003), Valêncio Xavier (1933-2008) e Wilson Bueno (1949-2010).

No mês passado, o autor também foi escolhido para ser homenageado na Primeira Festa Literária da BPP. O evento contou com a participação do Projeto Mesmas Coisas, que faz diversas ações envolvendo as obras do autor e com a Cia de Teatro do Urubu, que leu diversos texto de Karam durante toda a semana.

Em vida, o escritor publicou sete livros, que iam do conto ao romance. E, quando aos 60 anos perdeu a batalha contra um câncer de pulmão, nem imaginava que por meio de amigos e admiradores seu legado continuaria rendendo muita discussão.

Essa militância também é encabeçada pelo escritor e professor Paulo Sandrini, 46 anos, que foi muito amigo de Karam. Ele é responsável pela publicação de mais quatro livros póstumos do autor, por meio de sua editora, a Kafka Edições, a qual Karam chegou a integrar no projeto. “Com a morte dele, as coisas ficaram meio desestabilizadas, mas eu fiz questão de levar em frente a editora, muito por conta das suas obras que precisavam ter continuidade”, conta.

Sandrini recorda que passou muitas noites de sexta-feira tomando latinhas de Heineken, única cerveja que Karam tomava, e conversando sobre tudo e nada. E, em meio a isso estava sempre presente o humor, marca indelével do autor. “Apesar dessa característica ser algo muito forte nele, o Karam era um intelectual que não colocava peso nisso. Seu discurso era muito natural.”

Karam nasceu em Rio do Sul, Santa Catarina. Mudou-se para Curitiba em 1966 e aqui fez sua morada. Com uma trajetória diversificada, trabalhou com teatro, cinema, na imprensa e até mesmo em campanhas políticas, como a do ex-governador Jaime Lerner.

Dono de uma escrita única e de um humor marcante, Karam foi um dos maiores autores da linha experimental de seu tempo. Escreveu e dirigiu 20 peças de teatro até a década de 1970 e, a partir de 1980 passou a se dedicar a literatura. Com a sua terceira obra, “Cebola” (FCC, 1997), venceu o Prêmio Cruz e Souza de Literatura, de 1995.

“Karam era aquele cara que sempre tentou dar um passo a mais na literatura”, destaca Sandrini, seja por meio da intensidade do uso da linguagem, a qual dominava com maestria, ou pela transformação por meio da experimentação. Soma-se a isso um repertório vasto. Em suas obras é possível identificar diversas referências, dos mais variados segmentos, as quais conseguia mixar e transformar em uma literatura original.

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