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Com duas obras, o autor traz o leitor para uma realidade desconfortável

Seu primeiro romance, “Peixes Coloridos em Alto-Mar” demorou 14 anos para ser publicado. Foto: Reprodução.

Com uma linguagem expressiva, sem medo de levar o leitor para uma realidade dura e desconfortável, o escritor Paulo Sandrini, 46 anos, se arrisca no romance, com dois livros de uma vez. “Balido do Branco” e “Peixes Coloridos de Alto-Mar”, lançados pela sua própria editora, a Kafka Edições, fazem parte do projeto “Duplo Sandrini”, realizado por meio de mecenato.

A ideia de lançar a dupla é uma espécie de esquizofrenia como define Sandrini. “Esquizofrenia porque as duas obras não têm nada a ver uma com a outra”, explica o autor que figura a nova geração de escritores. Até então, ele havia publicado apenas contos e novelas curtas. Começou então a trabalhar com a ficção chamada “Romance Odiado”, e graças ao incentivo do amigo, o também escritor Fernando Koproski, que fez o texto crítico do “Peixes Coloridos”, finalmente a obra sai da gaveta que estava desde 2003.

Desde essa época, Koproski já havia lido alguns capítulos da obra, quando repentinamente Sandrini parou de mostrar os textos. “Foi uma baita sacanagem. Eu já estava envolvido com os personagens e ele me faz esperar 14 anos para saber o fim da história”, conta. A obra, seu primeiro romance escrito, traz em um cenário pós-apocalíptico um pai que, em meio a muitas adversidades, busca incansavelmente pela filha.

Para o segundo livro, Sandrini resgata uma de suas primeiras obras, “Um Estranho Hábito de Dormir em Pé” (Travessa de Editores, 2003), que seria a base para o “Balido do Branco”. “As pessoas gostavam muito e diziam que eu deveria transformar e um romance, e aqui está”.

Com uma narrativa pesada, que traz questões do holocausto para o presente, por meio de uma escrita contundente, Sandrini tenta decifrar a brutalidade da vida que a gente vive hoje. “Ele entra no desconfortável, se expressando de forma bastante crua. Não há artificialismo ou falseamento em sua escrita”, afirma Koproski.

Apesar de ter nascido na cidade de Vera Cruz, São Paulo, foi na capital paranaense, onde Sandrini vive desde 1994, que sua literatura tomou forma. Muito ligado a ideia da literatura de invenção, Sandrini vê nesse modelo um espaço de criação máxima, no qual a imaginação não tem limites e onde é precisa enxergar além do que há na superfície. O autor coloca que esse é um estilo que de certa forma “esperneia” com a literatura realista ou de autoficção, que está em voga no mercado editorial. Mas, apesar da rebeldia garante: “Não tenho nada contra, só não é a minha praia”.

Amizades à parte, Koproski acredita que em meio a tantos autores Sandrini tem um lugar de destaque assegurado na literatura contemporânea. “É um autor que tem muita força e é muito verdadeiro no que faz.”

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